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Bruna Barbosa
Bruna Barbosa
- Direito trabalhista
28 Mai 2026 -

Especialistas em Saúde e Segurança do Trabalho da UNIMED falam sobre as mudanças no ambiente de trabalho após a atualização da NR1.

A médica do trabalho e coordenadora da Saúde Ocupacional da Unimed, Dra. Jaqueline Graeff, e o técnico em segurança do trabalho, Elisandro Palhano falaram sobre a a atualização da NR-1 e os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho.
Especialistas em Saúde e Segurança do Trabalho da UNIMED falam sobre as mudanças no ambiente de trabalho após a atualização da NR1.

O Estúdio Boa Vista, da Rádio Cultura, recebeu na manhã desta quinta-feira (28) a médica do trabalho e coordenadora da Saúde Ocupacional da Unimed, Dra. Jaqueline Graeff, e o técnico em segurança do trabalho, Elisandro Palhano. Em pauta, esteve a atualização da NR-1 e os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho.

Há cerca de um ano, por meio da norma regulamentadora, os riscos psicossociais passaram a integrar o inventário de riscos das empresas e devem constar no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Segundo a Dra. Jaqueline, a equipe multidisciplinar da Unimed já vem sendo preparada para atender às novas exigências.

“Dentro desse período, já viemos oferecendo capacitação e treinamento para toda a nossa equipe multidisciplinar, para que possamos orientar as empresas sobre como proceder neste momento”, destacou.

A especialista explicou que a mudança na legislação, agora obrigatória, busca fazer com que os empresários tenham um olhar mais atento à saúde mental dos trabalhadores. Ela ressaltou que o país enfrenta um aumento expressivo nos diagnósticos de ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos, o que impacta diretamente o desempenho profissional.

“Se o trabalhador enfrenta dificuldades emocionais em casa ou na família, isso inevitavelmente refletirá no ambiente de trabalho. É aí que nós, enquanto profissionais da Saúde e Segurança do Trabalho, atuamos, capacitando pessoas e trabalhando em conjunto com as empresas para atender essa nova exigência da legislação”, afirmou.

Mas por onde começar?

Os profissionais da Unimed iniciam o trabalho com um levantamento dos riscos químicos, físicos e biológicos. Agora, soma-se a esse processo a avaliação dos riscos psicossociais, realizada por meio de questionários validados, que apontam as primeiras evidências dos fatores existentes no ambiente de trabalho. A partir disso, a equipe auxilia as empresas no processo de adequação e melhoria do ambiente laboral.

De acordo com os especialistas, a atualização da NR-1 complementa normas já existentes, mas representa também uma mudança cultural: passar a enxergar o trabalhador não apenas como um corpo físico, mas também como um indivíduo que precisa de atenção à saúde mental.

Eles reforçam ainda que investir em saúde e segurança pode evitar passivos trabalhistas muito maiores do que os custos de prevenção. O risco psicossocial, embora agora esteja mais evidenciado, já vinha sendo abordado em áreas como a ergonomia.

Somente em 2025, mais de 500 mil afastamentos do trabalho relacionados à saúde mental foram notificados no país, por meio do CID F, que engloba transtornos como ansiedade, depressão, síndrome do pânico e burnout. Segundo os profissionais, o número de jovens adoecidos emocionalmente também preocupa.

“Precisamos reduzir esse impacto, e isso só será possível com uma mudança de cultura. A atualização da NR-1 vem justamente para auxiliar pessoas e empresas nesse processo”, ressaltaram.

Após o levantamento dos riscos, os resultados são apresentados às empresas, juntamente com sugestões de planos de ação para minimizar os impactos e melhorar o desempenho profissional dos colaboradores. Todas as medidas adotadas, inclusive aquelas que muitas vezes já são realizadas pelas empresas, devem ser registradas e documentadas para eventual comprovação junto ao Ministério do Trabalho.

Por fim, os especialistas destacaram que a NR-1 deve ser encarada como uma ferramenta de melhoria contínua.

“A norma vem para somar. É preciso ter um olhar voltado para agregar e melhorar a saúde do colaborador, porque uma empresa saudável produz mais”, concluíram.

Fonte: Jornal Boa Vista

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